O
meteorito (“venenoso”) do Peru
Um meteorito
que caiu no Peru no sábado, 15 de setembro, está contribuindo para piorar a má
imagem que essas pedras que caem do céu têm junto à população com menor acesso à
informação de ciência.
Segundo
os relatos disponíveis, o bólido abriu uma cratera de 30 metros de diâmetro por
seis de profundidade e assustou os moradores do povoado de Carancas, a
aproximadamente 1.300 km ao sul de Lima, junto à fronteira com a Bolívia.
Testemunhas da queda se
referiram a uma bola de fogo e a um estrondo seguido do impacto que abriu a
cratera.
Pedras
que caem do céu remontam a histórias antigas.
O famoso
químico francês, Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794), por exemplo, disse que
“pedras que caem do céu simplesmente não existem”, antes que um conterrâneo dele
demonstrasse que existem e são tão real como o dia que nasce.
‘Estrelas-cadentes”, por
exemplo, são pedriscos, normalmente do porte de um grão de arroz, que caem do
céu todo o tempo, ainda que só sejam visíveis à noite.
O
Bendengó, ou Bendegó, o mais famoso meteorito brasileiro, pesa mais de 5
toneladas e está exposto no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. E um asteróide de
uns 10 km de diâmetro que se chocou com a Terra há 65 milhões de anos é
responsabilizado pela extinção dos dinossauros.
Todos
eles são pedras caídas do céu.
O bólido
que caiu no Peru chegou acompanhado de uma bola de fogo – devido ao atrito com a
atmosfera que o tornou incandescente – e produziu o ruído típico de um corpo
atravessando a atmosfera em alta velocidade.
Uma
“estrela-cadente”, mesmo pequena, (um grão de arroz) pode produzir uma espécie
de “sussurro” numa noite calma, longe da iluminação e especialmente do ruído
urbano. Um pedregulho cósmico pode “assoviar” e um bloco maior produzir uma
explosão.
Meteorito é o nome que se
dá a um corpo que sobreviveu ao atrito com a atmosfera e atingiu a superfície da
Terra ou de um outro mundo, como a Lua ou Marte. Recentemente os jipes
americanos em Marte localizaram um meteorito na superfície do Planeta Vermelho.
Pode até ser um meteorito originário da Terra, resultado de um impacto que o
lançou ao espaço onde permaneceu por milhões de anos, até pousar em Marte.
No
espaço, esses corpos recebem o nome de meteoróide. O risco luminoso que deixam
durante a travessia da atmosfera é conhecido tecnicamente como meteoro.
Mas, de
um modo geral, há uma enorme confusão entre meteoróide, meteorito e meteoros.
Com freqüência usa-se o termo “meteoro”, quando deveria ser “meteorito”.
Essas
pedras que despencam do céu já foram mais numerosas no passado do Sistema Solar.
São uma espécie de entulho cósmico, material que sobrou da formação do Sol e dos
planetas e luas.
Se você
quiser uma evidência clara deles, observe a superfície da Lua com um pequeno
telescópio. A enorme quantidade de crateras na ocular de seu telescópio revela o
impacto de bólidos cósmicos. Essas marcas não se apagam da Lua, por falta de
atmosfera, ventos e chuva, ao contrário do que acontece na Terra.
Vento e
chuva, entre outros processos, apagaram boa parte das cicatrizes deixadas na
Terra por asteróides e seus parentes mais exibidos, os cometas.
Em
seguida à queda no Peru, apareceram notícias de pessoas que se sentiram mal – na
maior parte, aparentemente, crianças e idosos – ficaram enjoadas e apresentaram
vômito, como resultado da queda do meteorito.
Verdade
ou “ignorância do povo”, como justificou no passado Lavoisier?
Claro
que pode estar havendo algum exagero. Mas pessoas que se aproximaram da cratera
podem perfeitamente ter respirado gases tóxicos liberados pelo meteorito e que
provocaram enjôos e vômitos.
Especialmente idosos e
crianças, por serem mais frágeis a esses efeitos.
Ao
penetrar na atmosfera o bólido se aqueceu – lembre-se que acontece a mesma coisa
com os ônibus espaciais e por isso mesmo eles têm proteção térmica especial para
a reentrada.
Quando
impactou o solo no Peru, este aquecimento pela travessia atmosférica –
provavelmente seguido de alguma fusão pelo choque – pode ter liberado gases em
seu interior, daí a reação das pessoas.
Mas
pedras que caem do céu são um fenômeno natural e não devem assustar ninguém. Até
porque, boa parte da água que existe na Terra pode ter sido trazida para cá por
cometas – os parentes mais exibidos dos asteróides.
E se
você imaginar que 60% da massa de seu corpo é formado por água, poderá concluir
que parte de seu corpo já foi cometa (água de cometa) no passado.
Surpreendente, claro. Mas
nada assustador.