O Sputnik e a era espacial

O que as pessoas aprenderam a chamar de “era espacial” nasceu há exatamente 50 anos. Em 4 de outubro de 1957 a então União Soviética lançou o primeiro objeto humano em órbita da Terra, o Sputnik.

Você pode-se perguntar o que isso tem a ver com sua vida.

A resposta é: tudo.

Uma quantidade indescritível de objetos que vão de telefones (celulares ou fixos) a fornos de microondas descende de inovações produzidas pela era espacial.

O Sputnik foi o primeiro passo para o que se pode chamar de libertação humana do confinamento gravitacional. Antes do Sputnik, nada lançado pelo homem havia sido entronizado em órbita da Terra.

Além disso, o Sputnik foi uma espécie de anunciador do que viria logo depois: o vôo tripulado de Yuri Gagarin (1934-1968), o primeiro cosmonauta da Terra. Foi ele quem disse, depois de uma volta em torno do planeta, a famosa frase: “a Terra é azul”.

Que a Terra é azul o físicos já sabiam, por um efeito chamado de “espalhamento da luz”.  Mas ninguém, até que Gagarin voasse, havia observado este azul do espaço.

Gagarin fez seu vôo solitário em 12 de abril de 1961.

O passo seguinte foi a corrida para a Lua.

As pessoas dizem que a conquista da Lua não passou de uma queda de braços entre a então União Soviética e os Estados Unidos.

Não deixa de ser verdade, o que não significa que seja toda a verdade.

De um ponto de vista histórico, este foi o caminho que os humanos escolheram para deflagrar a era espacial.

Satélites de comunicação, sensoriamento remoto, previsão do tempo.

Nossas vidas não fazem mais sentido sem esses objetos espaciais. E todos eles começaram a nascer com o pequeno Sputnik.

Em 1957, depois em 1961 e em julho de 1969, quando Armstrong e Aldrin desceram na Lua, havíamos atingido o futuro.

Depois disso houve um recuo.

As naves de reentrada na atmosfera com seus cascos calcinados expostas nos museus, ao lado de réplicas da pequena Sputnik.

Entre o futuro e o retorno ao passado, cães e macacos foram enviados ao espaço. Sem meios de recusar a aventura, nem de compreender a dimensão de suas viagens.

Mais recentemente, a partir dos anos 90, se intensificou a descoberta de planetas extra-solares. Neste momento buscamos entre as estrelas um mundo como a Terra.

Nosso desejo mais íntimo – ainda que alguma frieza científica mascare um pouco a expectativa – é de encontrarmos outras criaturas inteligentes.

Eles seriam humanos, seres desgarrados no espaço de quem nos separamos há muito, ou nós seremos para sempre os únicos humanos?

Que perguntas faríamos a um eventual ET?

Você acredita em algum deus, ou esta crença não passa de um estágio de nossa civilização?

Você esteve sozinho até agora, antes de nos encontrar?

Somos apenas nós, ou existem muitos outros entre as estrelas?

Essas são outras questões legadas pelo Sputnik, a pequena esfera metálica que, pela primeira vez, nos levou ao espaço com seu repetido e ingênuo “bip” “bip” como sinal.

A humanidade comemora neste 4 de outubro os primeiros 50 anos do Sputnik. Muitos outros 50 anos se sucederão, até que a data original de seu lançamento se torne um ponto distante na história. Quase um mito.

Neste momento analisamos os impactos mais imediatos do Sputnik. Nos futuros 50 anos de comemoração desta data eles deverão ser cada vez mais complexos.

Até um ponto que, hoje, não temos condições de enxergar.

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