Blog de blogdasciam


Flash no céu assusta população no Nordeste

Por Ulisses Capozzoli

Moradores de Pernambuco e outros estados do nordeste presenciaram, por volta das 22h20 da quarta-feira passada, um clarão rápido e intenso no céu que assustou ou surpreendeu muita gente. O efeito disso foi um quase congestionamento nas redes sociais.

O que teria acontecido?

No passado recente a explicação inevitavelmente incluiria discos-voadores ou outras explicações fantásticas. A divulgação crescente de ciência junto à sociedade, mesmo com deficiências significativas que permanecem, já ajuda na interpretação de fenômenos como de ocorrências naturais.

A partir dos relatos feitos, tudo indica que o brilho foi produzido por um corpo, um meteoróide, que mergulhou na atmosfera da Terra e produziu o brilho intenso, ainda que rápido, que em astronomia se chama meteoro.

Qual a natureza desse corpo?

Ele pode ser tanto remanescente do material que formou o Sistema Solar (poderia até ser originário de fora do Sistema Solar, ainda que essa hipótese seja mais remota) como restos de foguetes e satélites em órbita da Terra, ou seja: lixo espacial.

Durante a guerra fria, experimentos envolvendo destruição de satélites em órbita aumentaram o lixo orbital que se iniciou com a era espacial: estágios de foguetes desativados e, posteriormente, ferramentas e outros objetos deixados por astronautas flutuando em torno da Terra a uma velocidade em torno de 26 mil km/hora.

Se o meteoróide for natural, ou seja, não colocado em órbita por iniciativa humana, ainda pode ser tanto um pequeno bloco errante ˗˗ caso de um corpo desprendido da Lua, Marte ou mesmo Vênus, entre outras luas do Sistema Solar, por um impacto que pode ter ocorrido há milhares ou milhões.

Há uma boa possibilidade de que tenha sido um meteoróide componente da chuva de meteoros Orionídeos, que tem esse nome porque parece provir (por mero efeito de perspectiva) do interior da constelação de Órion que, naquele momento, começava a escalar o céu, no horizonte Leste.

As chuvas Orionídeos se estendem de 16 a 26 de outubro, com pico de intensidade entre os dias 20/21 de outubro e são produzidas por material liberado pelo famoso cometa Halley com órbita de 76 anos em torno do Sol.

Orionídeos têm média histórica de 25 meteoros/hora e mergulham na atmosfera terrestre à velocidade de 66 km/s. Isso equivale a dizer que, entre uma pulsação e outra do coração humano, os restos do Halley percorrem uma distância de 66 km.

Mas por que essas chuvas ocorrem periodicamente, em determinadas datas e tem, por exemplo, um pico de intensidade, ou seja, um momento em que se mostram particularmente ativas?

Na verdade, existem várias chuvas anuais de meteoros, associadas a determinados cometas. Mas o céu também pode ser riscado por um meteróide solitário, que produz um brilho luminoso (o meteoro) não necessariamente associado a um cometa.

Restos de cometas

As chuvas anuais, no entanto, têm essas origens e isso ocorre porque a cada aproximação que os chamados cometas periódicos fazem do Sol, em suas órbitas elípticas, sofrem aquecimento e isso dá início a uma reação química dos gases que formam esses astros. Essa reação pode produzir pequenos jatos de gases que atuam como pequenos foguetes. O fato é que, nesse processo, os cometas perdem massa sob a forma de uma esteira de detritos que deixam ao longo da órbita que percorrem em torno do Sol.

Cometas são “bolas de gelo sujo”, na clássica intepretação dada a esses astros pelo astrônomo americano Fred Whipple (1906- 2004). Assim, o desprendimento do material congelado também libera, ao longo da rota do cometa, poeira e corpos que podem ter porte um pouco maior que grãos de arroz ou milho.

No conjunto, esse material forma uma esteira de detritos que intercepta a órbita da Terra em torno do Sol. Então, quando a Terra cruza o rastro de lixo cometário, esse material mergulha e reage fisicamente com a atmosfera, produzindo os rastros luminosos, os meteoros. Se sobrevivem ao atrito e pousam na superfície da Terra esse material é chamado de meteorito.

Então, nesse caso, temos três situações frequentemente confundidas com o nome genérico de meteoro.

No primeiro caso, um corpo no espaço (meteoróide) que pode penetrar a atmosfera e produzir um rastro luminoso (meteoro) e que, se sobreviver ao atrito intenso com a atmosfera e pousar na superfície da Terra é um meteorito.

Meteoroides costumam ser destruídos em altitudes entre 80 a 100 km da superfície da Terra e “queimam” à medida que interagem com camadas atmosféricas mais densas, à medida que se aproximam da superfície do planeta.

O meteoróide, também chamado de bólido, que produziu a iluminação da noite no nordeste do Brasil não tinha massa significativa pois, neste caso, teria dado origem a uma onda de choque, percebida sob a forma de explosão. Foi o que aconteceu recentemente, com o meteorito que caiu na Rússia, estimado em 10 mil toneladas.

Provavelmente o bólido da quarta-feira no Nordeste teria algo como, no máximo, o porte de uma bola de futebol e seria de natureza rochosa e não metálica, como é o caso do mais famoso meteorito brasileiro, o Bendengó, ou Bendegó, exposto no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e que já teve a visita de cientistas famosos, como Albert Einstein.



Escrito por blogdasciam às 16h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis