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New Horizons chega a Plutão em julho

Por Ulisses Capozzoli


Em 15 de julho próximo a primeira missão automática da Terra a visitar Plutão e sua lua Caronte, na realidade um sistema planetário duplo, chega ao destino após um voo de 9,5 anos pelo Sistema Solar.

Quando a missão deixou a Terra, em 19 de janeiro de 2006 ˗˗ no topo de um foguete Atlas V 551, de três estágios ˗˗ Plutão ainda desfrutava do status de planeta, substituído, logo em seguida pela designação de planeta-anão, em função de descobertas que estavam sendo feitas, e ainda continuam, no chamado Cinturão Kuiper.

O Cinturão Kuiper, que homenageia o astrônomo holandês Gerard Peter Kuiper (1905-1973), quem previu a existência dessa formação, é um anel composto por entulhos da formação do Sistema Solar, há aproximadamente 5 bilhões de anos.

O Sistema Solar exibe três regiões fundamentais: a dos planetas rochosos, dos mundos gasosos e dos corpos gelados, no Cinturão de Kuiper.

No primeiro grupo estão Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.

De Júpiter a Netuno estão distribuídos os mundos gasosos, onde é impossível, por exemplo, caminhar por uma superfície sólida.

Nos mundos gelados, talvez um astronauta do futuro possa fazer caminhadas exploratórias, observando o Sol como um ponto amarelado entre as estrelas e não como uma moeda incandescente, como é visto da Terra.

As duas primeiras regiões do Sistema Solar, reunindo os planetas rochosos e gasosos, já foram visitados por naves automáticas enviadas da Terra. Mas, no caso dos corpos gelados, Plutão e sua lua serão os primeiros anfitriões dessas explorações não tripuladas.

Na realidade, a News Horizons sobrevoará Plutão e sua lua a uma velocidade em torno de 43 mil km/h e, para entrar em órbita em torno desse sistema binário, deveria reduzir sua velocidade em 90%, o que consumiria mais de mil vezes o combustível que poderia carregar.

Há uma segunda razão para que a missão não permaneça para sempre em órbita de Plutão-Caronte: a New Horizons deve investigar outros corpos do Cinturão Kuiper, buscando dados inéditos para relatar a história da origem e evolução do Sistema Solar.

Defesa contra asteróides

O conhecimento desse processo deve permitir o refinamento de um sistema de defesa da Terra contra bólidos que podem emergir do espaço profundo. Ocorre que o Cinturão Kuiper é uma região pródiga em cometas que já se chocaram com a Terra no passado e ainda podem fazer isso num momento imprevisto do futuro imediato, ou de mais longo prazo.

Como se não bastasse, Plutão, sua lua Caronte e outros corpos já identificados no Cinturão Kuiper exibem concentrações significativas de material orgânico, ou seja, compostos de carbono e também de água, elementos fundamentais para a manifestação da vida, como conhecida na Terra.

Em resumo, as consequências das descobertas que podem ser feitas nessa região distante do Sol são amplas o suficiente para não permitir uma previsão quantitativa.

Ao contrário disso, elas podem ser mais excitantes que qualquer um pode estimar.

Quando a New Horizons passar pelo sistema Plutão-Caronte estará afastando-se do Sol num desvio que começou em 1989, em função de sua órbita elíptica que, periodicamente, faz com que mergulhe no interior da órbita de Netuno.

Com afastamento ainda maior do Sol a atmosfera de Plutão ficará congelada e esse é um momento para os instrumentos a bordo da nave da missão fazerem uma investigação detalhada do envelope gasoso que envolve esse mundo.

Plutão perde parte de sua atmosfera da mesma forma que ocorre com um cometa que se aproxima do Sol.

Esse processo também manifestou-se na Terra, num passado distante, especialmente no caso de hidrogênio e hélio, mais leves que, por exemplo, o oxigênio.

E os astrônomos planetários querem saber como esse processo se manifesta.

A investigação da atmosfera plutoniana será uma das consequências do afastamento da New Horizons em direção aos corpos ainda mais distantes do Cinturão Kuiper.

Com o perfil de Plutão desenhado contra a luz esmaecida do Sol um contraste permitirá não só uma exploração do envoltório gasoso do planeta como também da irregularidade de sua superfície, numa investigação das sombras.

A New Horizons chega a Plutão-Caronte impulsionada não só pela energia química do foguete Atlas V 551, de três estágios, mas também pelo que se conhece como sistema de “ajuda gravitacional”, neste caso de um efeito estilingue de Júpiter. 

Ajuda gravitacional

Em 28 de fevereiro de 2007, quando teve sua máxima aproximação de Júpiter, a New Horizons tirou partida da energia gravitacional desse gigante do Sistema Solar para ganhar velocidade e mergulhar ainda mais fundo rumo ao seu objetivo, desgarrando-se cada vez mais da atração gravitacional do Sol.

Em 8 de junho de 2008 a missão passou por Saturno, em 18 de março de 2011 teve a máxima aproximação de Urano e em 14 de agosto passado visitou Netuno a alguma distância.

Com a aproximação de sua meta, os instrumentos de bordo serão acionados, saindo de uma hibernação de anos.

À distância de 105 milhões de km de Plutão (a Terra está, em média, a 150 milhões de km do Sol) as câmeras de bordo começarão a funcionar, produzindo o primeiro mapa local desse mundo gélido com resolução de até 48 km.

Na aproximação máxima, a New Horizons se aproximará a até 9.600 km de Plutão e a 17 mil km de Caronte, investigando o ambiente nos comprimentos de onda visível e infravermelho próximo.

A expectativa é que as melhores fotos desse sistema binário tenham resolução para estruturas de até 60 m de diâmetro.

Até que os primeiros dados da missão estejam analisados não saberemos as surpresas que essa região remota do Sistema Solar reserva para a ciência.

É de se imaginar, no entanto, que a New Horizons vá dividir a investigação de Plutão e do Cinturão de Kuiper em um antes e um depois.

O antes já conhecemos, com base em livros textos e amplo material de divulgação na mídia, especialmente em publicações mais especializadas, como Scientific American Brasil.

Já o depois, por enquanto, está restrito à expectativa dos astrônomos planetários. E, em última instância, à imaginação de cada um.



Escrito por blogdasciam às 15h51
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